segunda-feira, 4 de abril de 2016

CaMINhOS

E você ainda me pergunta: aonde é que eu quero chegar, se há tantos caminhos na vida e pouquíssima esperança no ar! E até a gaivota que voa já tem seu caminho no ar! O caminho do fogo é a água. O caminho do barco é o porto. O do sangue é o chicote. O caminho do reto é o torto. O caminho do bruxo é a nuvem. O da nuvem é o espaço. O da luz é o túnel. O caminho da fera é o laço. O caminho da mão é o punhal. O do santo é o deserto. O do carro é o sinal. O do errado é o certo. O caminho do verde é o cinzento. O do amor é o destino. O do cesto é o cento. O caminho do velho é o menino. O da água é a sede. O caminho do frio é o inverno. O do peixe é a rede. O do pio é o inferno. O caminho do risco é o sucesso. O do acaso é a sorte. O da dor é o amigo. O caminho da vida é a morte!



quinta-feira, 29 de janeiro de 2015



Porque o único sentido oculto das cousas
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as cousas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.

Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos:
As cousas não têm significação: têm existência.
As cousas são o único sentido oculto das cousas.

[O Guardador de Rebanhos]

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

talvez fosse a cabeça oca ou o soar do sino em 21. assim andava com olhar fixo, ora no horizonte. faltava palavras casaco de lã músculos rijos óculos de sol. faltava bom humor mp3 frivolidades e um saco bem grande. sentia-se perseguida: despertadores, refeições, tantos plásticos, sódio glúten carboidratos em tudo o que há. tinha ócio rabecão maçã verde ervas finas, outras não. vinho tinto sempre tinha . essa andava de garganta seca, talvez o frio talvez o excesso de fonema. talvez fosse a falta em crer, o grito contido, as tardes de domingo, a miss universo o brócolis a terapia. talvez fossem suspiros presos. ou aqueles orgasmos interrompidos pelo olho do cú do papa. talvez esses espaços de pouca música e muita tv. talvez a culpa no outro. assim esse falar baixo de língua solta. o frio na barriga. ainda um sentir manso com as tempestades. o eu (des)encarnado. esta metamorfose ambulante. este rosto exposto e um riso contido. talvez tudo que se deu na travessia.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

trintaecinco

acordar cedo - tem dias que não
por vezes a felicidade - mas é raro
raro como dinheiro de sobra
raro como disposição pra mão de obra

música sempre.  
paixão (amadora) por fotos
café para enfrentar a manhã e a tarde também 
calçados gastos e muito chão!

isso e ócio. 

olhos de mar
cabeça nas nuvens
pés de meio de mato

tranquila e infalível.

três gatos:
ozzy, o cinzento
xerox, o gato quase branco (ilegível se fosse texto)
e o preto, O gato

trintaecinco e (quase) nenhuma celulite.

cnpj para dar mais autonomia
ano novo no Uruguay
dinheiro (suado) pra viagem
cotidiano de lagoa


nenhuma nostalgia de idades anteriores:
é a minha segunda infância, o melhor!