domingo, 1 de agosto de 2010

** Dias Eleitos**

FESTA. O sujeito apaixonado vive cada encontro com o ser amado como uma festa.

1. A festa é aquilo que se espera.  O que espero da presença prometida é um enorme somatório de prazeres, um festim; me rejubilo como a criança que ri ao ver aquela cuja presença anuncia e significa uma plenitude de satisfações: vou ter, diante de mim, a "fonte de todos bens". (Lacan)

"Vivo dias tão felizes quanto aqueles que deus reserva a seus eleitos; e aconteça o que acontecer não poderei dizer que não provei das mais puras alegrias da vida." (Werther)

2. "Esta noite - temo ao dizê-lo - , eu a tinha nos braços, apertada contra meu peito, eu cobria de beijos intermináveis seus lábios que murmuravam palavras de amor, e meus olhos se afogavam na embriaguez dos seus! deus! serei castigado, se ainda agora experimento uma celeste felicidade ao me lembrar dessas ardentes alegrias, ao revivê-las no mais profundo do meu ser!" (Werther). A festa para o Enamorado, o Lunático, é um júbilo e não uma explosão: gozo do jantar, da conversa, da ternura, da promessa certeira do prazer: "uma arte de viver acima do abismo." (Jean-Louis Bouttes)

(Então não significa nada para você ser a festa de alguém?)

Fragmentos de um Discurso Amoroso, Roland Barthes, pag. 113

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